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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

O ALCOOLISMO

Apesar de ter uma longa história, o alcoolismo só é considerado uma doença mais recentemente. O consumo excessivo e prolongado do álcool  é um vício, uma dependência que provoca os seguintes efeitos sobre o organismo humano:

-Acção sobre o tubo digestivo e estômago: as mucosas do tubo digestivo e estômago ficam em contacto directo com o álcool. Este contacto, sobretudo se exagerado e frequente, provoca irritação da mucosa gástrica, que pode degenerar em inflamação e ulceração, devido ao álcool provocar aumento de secreção gástrica e pancreática. O álcool ingerido em concentrações elevadas diminui as secreções, ou inibe a transformação dos alimentos.

-Acção sobre o fígado: o fígado fica igualmente em contacto directo com o álcool, visto que é neste órgão que começa a sua transformação. A acção nociva do álcool produz a "cirrose alcoólica" no decurso da qual as células do fígado vão desaparecendo progressivamente para serem substituídas por tecido escleroso.

-Acção sobre o sistema nervoso central: o álcool perturba o funcionamento normal do sistema nervoso central. A sua acção é a de um anestésico. Esta depressão gradual das actividades nervosas, devida ao álcool, atinge os centros nervosos pela ordem inversa da sua evolução, quer dizer, começando pelos centros que comandam a capacidade de ajuizar, a atenção, a autocrítica, o autodomínio, a locomoção, para terminar naqueles de que depende a vida orgânica. Num primeiro estado, o indivíduo, após ter bebido alguns ml de álcool, parece ter comportamento normal, mas observado atentamente, apresenta reflexos cuja rapidez e precisão estão um pouco diminuídos. A alteração dos centros inibidores aparece num segundo estado. O indivíduo experimenta uma sensação de bem-estar, de euforia, de excitação, por vezes com uma quebra variável do controle que normalmente exerce sobre as suas palavras, sobre a sua coordenação muscular e locomotora e sobre as suas emoções. Num terceiro estado acentuam-se estes sintomas, havendo uma imprecisão dos movimentos, descontrole nas frases que diz, no andar, na audição e na visão. Num quarto estado, uma intoxicação mais profunda do sistema nervoso segue-se à embriaguez, após um período em que se agravam os seguintes sintomas: alucinação, excitação motora desordenada, perda da sensibilidade e da consciência. Sobrevém um sono com perturbações da respiração e da circulação, seguida de coma alcoólico que pode ser mortal. As quantidades de álcool que podem provocar estes estados sucessivos variam de indivíduo para indivíduo.

 O alcoolismo além de uma doença física é uma doença psíquica, social e moral. Mas porquê?

É uma doença física visto que o alcoólico sofre de uma péssima alimentação e má nutrição; deficiência em vitaminas, dispepsia, desidratação. Apresenta além disso sintomas nervosos diversos; tremuras, cefaleias, alteração da memória.

O alcoolismo é uma doença psíquica porque o alcoólico tem necessidade de álcool para aceitar a realidade; tem tendência a fugir às responsabilidades; sofre de angústia, é agressivo, resiste mal às frustrações e às tensões; porque nele o nível de consciência, enquanto racionalidade tende a baixar, levando-o a uma conduta impulsiva.

É uma doença social porque sofre de negligência perante a família; divórcios numerosos entre os alcoólicos; frequentes perdas de emprego; perdas dos velhos amigos que continuem sóbrios; problemas financeiros... recurso às organizações sociais; agressividade perante a sociedade; dificuldade em colaborar numa obra comum.

Por fim, é uma doença moral já que o alcoólico esquece normalmente a sua vida espiritual; porque não respeita as suas obrigações perante a família, os colegas de trabalho, a sociedade; porque perde todo o senso moral.

Se o alcoólico é um doente, é necessário primeiramente fazê-lo compreender que não está bem, que o álcool é um vício que ele não controla e persuadi-lo de que a sua doença se pode tratar. No entanto, as repreensões, o ridículo, os sermões, as atitudes protectoras, só fazem com que ele continue a beber. Há, sobretudo, que ajudá-lo a eliminar ou minimizar as causas que o levaram a encontrar consolo na bebida. Existem várias instituições onde as pessoas com problemas de alcoolismo podem encontrar ajuda médica ou psicológica específica, e outras em que podem desfrutar de convívios ou reuniões de entre-ajuda (alcoólicos anónimos).

publicado por Dreamfinder às 22:16

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OBESIDADE INFANTIL

É nos meios urbanos que a obesidade infantil deixa a sua marca mais pesada. No entanto, a ruralidade também não mostra um cenário diferente. As estatísticas dizem que, a nível nacio­nal, 31,5% das crianças entre os 9 e os 16 anos são obesas ou sofrem de excesso de peso. E daqui sobressai uma conclusão: é preciso agir. Caso contrário, a já ameaçada esperança média de vida destas crianças vai ser ainda mais curta do que aquela que a geração dos pais tem neste momento. Perante a informação que é disponibilizada constantemente, ainda é pouca a sensibilização para este problema, que a Organização Mundial de Saúde entende como uma das actuais e preocupantes epidemias. Parecem passar despercebidas a pais e Estado as consequências reais a longo prazo, sobretudo quando se tem em conta que a alimentação incorrecta e a escassa prática de actividade física são a base desta situação, não só nos adultos, mas particularmente na população infantil.

Certo é que, neste momento, calcula-se que no futuro haja mais adultos que, para além de obesos, vão sofrer de patologias cardiovasculares, cada vez mais cedo. Vão ser mais atingidos pelos efeitos da diabetes mellitus tipo 2, que também tem subido significativamente nos jovens de hoje. Já para não falar de distúrbios da personalidade, decorrentes do estigma de ser gordo, como assinala uma campanha desenvolvida por estes dias nos diversos media.

É importante o desenvolvimento de programas de promoção e manutenção do controlo de peso em crianças e adolescentes que devem contribuir para pequenas mudanças sucessivas ao nível da alimentação e actividade física diárias, conducentes à aquisição de um estilo de vida mais saudável. Um dos problemas actuais é o facto de a dieta mediterrânea ter caído no desuso.


”Essa dieta, bem mais saudável, pela utilização do pão, do azeite, do peixe, da fruta e dos legumes está a ser substituída por outros alimentos prejudiciais.”

Dra. Sandra Martins

 

As pizzas, os hambúrgueres, as salsichas, a comida já previamente confeccionada que se coloca no microondas e os refrigerantes gaseificados são exemplos flagrantes. Há outra falha grave, que é a ausência de um bom pequeno-almoço, completo e diversificado. O papel dos pais na obesidade infantil assume duas vertentes essenciais. Em primeiro lugar, emerge a questão inevitável da hereditariedade. A verdade é que, “em pais obesos há aproximadamente 50% de possibilidades de os filhos virem a sofrer do mesmo problema”. O exemplo que os progenitores dão em casa influencia de igual modo o comportamento das crianças, seja através da alimentação, seja através de hábitos – ou não – de prática de actividade física.
A obesidade infantil é mais evidente nas raparigas do que nos rapazes. Por um lado, a acumulação de gorduras é superior nas raparigas. Há também factores culturais que perduram. Elas têm hábitos mais sedentários, enquanto eles apresentam sempre níveis superiores de actividade física. Na escola, os rapazes apresentam maior número de períodos de actividade moderada e intensa durante os intervalos, com jogos e brincadeiras. As adolescentes preocupam-se mais com a sua imagem, algo que desejam manter, apesar de nem sempre o fazerem da forma mais saudável. Contudo, até à segunda infância essas diferenças entre os géneros não são tão notórias, acentuando-se com a entrada na adolescência. Mas a mudança de comportamentos é algo difícil de empreender, pelo que requer a reunião de um conjunto de factores de natureza multidisciplinar que facilitem a sua concretização.

Paralelamente, o culto da magreza está aí para durar. Se antes, em tempos idos, a gordura era sinónimo de formosura e também de boa saúde nas crianças, agora o conceito inverteu-se. Os excessos no aporte de lípidos pagam-se mais tarde. E sabe-se hoje que a denominada aterosclerose – que consiste no bloqueio das artérias – começa a ganhar forma desde muito cedo. Depois virão os AVCs, a hipertensão arterial, o colesterol elevado, cada vez mais precocemente... e as mortes súbitas a partir dos 35/40 anos são já um facto comum.

Entre as medidas de prevenção incluem-se não apenas a sensibilização dos alunos nas escolas, mas a chave reside também na intervenção junto das cantinas. Algumas já começam a adoptar práticas mais saudáveis de fornecimento alimentar aos alunos. A verdade é que continuam a existir, na maior parte dos casos, tentações nos bares, nas máquinas de venda automática e pouca imaginação na oferta alimentar das cantinas e bufetes. O café no outro lado da rua é, muitas vezes, a opção mais lógica. Mas nem sempre a mais correcta do ponto de vista da saúde. Nem tudo deve entrar nas escolas e os fornecedores de alimentação devem ser alvo de um controlo mais eficaz. Paralelamente, a aprendizagem da alimentação saudável também deve ser incluída no currículo escolar, através dos projectos desenvolvidos pela comunidade educativa.

A publicidade televisiva aos produtos alimentares focada em crianças também merece duras críticas. Seria importante a interdição de anúncios a alimentos hipercalóricos, nomeadamente, durante os intervalos da programação infantil, como já acontece na Suécia e está a ser discutido em França e Inglaterra. Quanto mais jovens as crianças menos capacidade têm de conseguir distinguir as mensagens a que são expostas.

É importante que a obesidade infantil seja encarada como um grave problema da actualidade e que sejam divulgados os comportamentos preventivos a desenvolver para evitar o risco de obesidade e todas as consequências que deste problema advém, sensibilizando não apenas as crianças e os jovens, mas também os pais para a importância da educação de estilos de vida saudáveis.

publicado por Dreamfinder às 20:39

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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

VELHICE

A velhice é um decurso pessoal, natural, incontestável e inevitável, para qualquer ser humano, na evolução da vida. Nesta etapa da vida surgem transformações biológicas, fisiológicas, psicossociais, económicas e politicas que compõem o quotidiano dos indivíduos.

Tem-se por hábito dizer que a idade que determina a velhice do ser humano são os 65 anos, que se considera quando se encerra a fase economicamente activa do indivíduo e começa a reforma. Mas um estudo visando um levantamento estatístico mundial feito pela OMS (Organização Mundial da Saúde), devido ao aumento progressivo da longevidade e da expectativa de vida, alteou a idade para os 75 anos.

Em muitas culturas e civilizações, o idoso não é mais que um velho, ultrapassado, um fracasso do potencial do ser humano; mas noutras, como as orientais, o idoso é visto com respeito, admiração e até veneração, representando para os mais novos um manancial de experiência, do saber acumulado, da prudência e da reflexão.

Mas o ser humano tem duas formas de receber as mudanças que surgem com a idade: positivamente, de uma maneira tranquila e consciente ou de uma maneira mais negativa, com muita intensidade, nada convicta e nada pacífica, mas tudo depende da relação de cada indivíduo com a velhice.

Existem, Mudanças Físicas, graduais e progressivas: o aparecimento de rugas; diminuição da força muscular; aparição de cabelos brancos; redução da acuidade sensorial, da capacidade auditiva e visual); distúrbios do sistema respiratório, circulatório; alteração da memória,… Mudanças Psicossociais, alterações  afectivas e cognitivas: percepção da aproximação do fim da vida; sensação de inutilidade; solidão; segregação familiar; afastamento de outras faixas etárias; decadência do prestigio social e de valores;  Mudanças Funcionais: mais cedo ou mais tarde, surge a necessidade quotidiana de ajuda para desempenhar as actividades básicas;    Mudanças Socio-económicas: suspensão da sua actividade profissional, reforma, por vezes dificuldades monetárias.

O crescimento da população de idosos nota-se claramente e inequivocamente na Europa e no resto do mundo desenvolvido, porque felizmente a velhice não é a mesma coisa que doença. Nos dias de hoje, quem tem 50 anos espera chegar aos 100 anos e com uma saúde muito satisfatória.

É interessante observar uma tendência de melhora na saúde de pessoas com mais de 70 anos, se a compararmos com a de pessoas entre os 50 e os 70 anos. Isto reflecte-se porque cada vez mais, os idosos têm consciência que uma alimentação correcta, a actividade física e um bom estado psicológico formam a base de uma melhoria de vida e da saúde. O sal e a gordura animal são os grandes e verdadeiros perigos da alimentação e devem ser evitados; a actividade física feita com regularidade fornece inúmeros benefícios com relevo nas doenças cardiovasculares; a depressão, o stress, a ansiedade são muito prejudiciais para a nossa saúde, tendo repercussões na nossa imunidade e devem ser contendidas; assim como a utilização constante da mente é fundamental para uma boa saúde.

Um indivíduo só se vai preocupar com o envelhecer quando sente que esta nova fase da vida está se aproximando, produzindo sensações de desconforto, ansiedade, temores e receios. Muito frequentemente essa ansiedade gera a falta de motivação levando-o a uma depressão, reflectindo-se organicamente e acelerando o envelhecimento ou provocando distúrbios e dificuldades de adaptação a um novo contexto social.

Estudos recentes comprovaram que o avançar da idade não determina a deterioração do intelecto, pois ele está associado à educação, ao padrão de vida, à vitalidade física, mental e emocional.

 

No dia-a-dia, vê-se demasiadas formas de discriminação, mas o envelhecimento é uma das mais notadas. Mas cada vez mais, luta-se pelos direitos dos idosos, espero eu, que providenciando o cumprimento das leis existentes, e tomando medidas mais eficazes que impeçam e interditem atitudes de maus tratos, faltas de respeito e falta de sociabilidade do qual o idoso é um alvo delicado e fácil. Também é preciso perder o preconceito sobre a idade cronológica das pessoas, tudo depende da postura e do interesse de cada um, em viver a sua idade como acha que se sente mais feliz e realizada. A reforma tem suas implicações negativas, por isso é preciso rever essa atitude de reformar seres inteligentes e capazes de dar muito de si pelo mercado de trabalho, desde que se enquadrem no sítio mais correcto, aproveitando a sua experiência sendo esta bem colocada e aproveitada.

Enfim, o envelhecimento não pode ser visto pela sociedade, médicos, família e patrões sob os olhos da discriminação. Não só as pessoas envelhecem, também as gerações, por esse motivo é preciso agir de forma concreta e segura contribuindo no resguardar de uma etapa da vida humana com saúde, qualidade, dignidade e respeito.

 

publicado por Dreamfinder às 09:41

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Terça-feira, 17 de Abril de 2007

HEMOFILIA

DIA MUNDIAL DA HEMOFILIA

A hemofilia é um distúrbio na coagulação do sangue. Quando cortamos alguma parte do nosso corpo e começa a sangrar, as proteínas que são os elementos responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento de todos os tecidos do corpo, entram em acção para estancar o sangramento. Os indivíduos portadores de hemofilia, não possuem essas proteínas e por isso sangram mais do que o normal. Os factores de coagulação são vários que têm uma sequência própria, no final da sequência forma-se o coágulo e acaba com o sangramento; num hemofílico um desses factores não funciona ou seja o coágulo não se forma, o sangramento continua.

A hemofilia é uma doença congénita hereditária que se caracteriza por hemorragias difíceis de controlar, por vezes espontâneas ou devidas a pequenos traumatismos com insuficiente e lenta coagulabilidade do sangue. Manifesta-se quase exclusivamente em indivíduos do sexo masculino.

Os portadores de hemofilia estão constantemente sujeitos a hemorragias. Estas dificuldades são devidas à ausência hereditária de determinados factores sanguíneos, indispensáveis à produção da enzima tromboquinase, que é fundamental no processo de coagulação.

Existem três tipos mais comuns de hemofilia:

 Hemofilia A é conhecida também como hemofilia clássica, com deficiência recessiva ligada ao sexo, caracteriza-se pela ausência do factor VIII da coagulação ou globulina anti-hemofilica. A hemofilia A é a mais comum de todas, ocorrendo em 85% dos casos segundo a OMS (organização Mundial de Saúde).

Hemofilia B é conhecida como doença de Christmas e se caracteriza pela ausência do factor hemofílico B ou factor IX.

Hemofilia C é determinada por gene autosômico dominante não relacionado com o sexo e caracteriza-se pela ausência de um factor denominado PTA.

Aproximadamente um em cada 5 mil homens nasce com hemofilia A. Esta é referida como uma doença recessiva ligada ao cromossoma X, o que significa que o gene FVIII defeituoso está localizado no cromossoma feminino ou X. As hemofilias A e B agem como caracteres recessivos ligados ao sexo. Os filhos de uma mulher portadora de um gene defeituoso terão um risco de 50% de sofrerem de hemofilia.

O sintoma crucial consiste no aparecimento de hemorragias causadas por traumatismos, demonstra-se também através de hematomas frequentemente, hemartroses (articulações que sangram) que são comuns nos tornozelos, joelhos, quadris e cotovelos, são dolorosas e quando acontecem várias vezes repetidamente podem levar à destruição da sinóvia (líquido claro, transparente e muito viscoso, que humedece as superfícies articulares das articulações móveis) e à diminuição da função articular; são comuns os sangramentos intracranianos e antes do advento do tratamento efectivo para os sangramentos, era uma causa de morte dos hemofílicos. A actividade plaquetária é normal em hemofílicos, assim as lacerações secundárias normalmente não levam a um sangramento excessivo. A intensidade e a gravidade da hemorragia são muito semelhantes nos indivíduos de uma mesma família.  A doença costuma manifestar-se desde a infância, mas raramente antes dos 3 a 6 meses de idade, torna-se evidente normalmente quando elas começam a caminhar e a receber os primeiros golpes com as quedas ou com o surgimento dos primeiros dentes.

Os sangramentos geralmente são internos, dentro do corpo do hemofílico, em locais que não se pode ver, como nos músculos; mas também podem ser externos, na pele (onde pode aparecer manchas roxas ou sangramento) ou nas mucosas (nariz, gengiva,…). Estes podem surgir após um trauma ou sem nenhuma razão aparente.

O diagnóstico é feito através da história dos sangramentos na família e por um diagnóstico laboratorial de coagulação: um exame de “tempo de tromboplastina parcial activada” ou TTPA prolongado com “tempo de protombina” ou TP e tempo de coagulação normal deve ser investigado. A dosagem do factor VIII pode classificar a hemofilia A em:

Grave, se o factor VIII ou IX estiver com o nível abaixo de 1% do normal.

Moderada, se o factor VIII ou IX estiver com o nível entre 1 a 5% do normal.

Leve, se o factor VIII ou IX estiver com o nível entre 5 a 40% do normal.

A quantidade de factor VIII ou IX no sangue, mantêm-se normalmente a mesma durante toda a vida, apesar de na fase adulta por vezes reduzir as hemorragias, os pequenos traumas quotidianos que existiam enquanto criança diminuem, porque também geralmente se reduz a actividade física.

A hemofilia é genética, transmitida de pais para filhos, quando concebida. É uma única célula que dá origem ao corpo humano, esta é formada pela união do espermatozóide do pai com o óvulo da mãe, cada um possui um núcleo com 23 pares de cromossomas, que se unem e dão origem aos 23 pares de cromossomas que são os que formam as características humanas necessárias para a formação de uma pessoa. Cada cromossoma é formado por um conjunto de genes, e se um único gene apresentar uma alteração vai repercutir no bébé que está a ser gerado.

O tratamento é feito com a reposição intra venal do factor deficiente, mas o doente deve fazer exames regularmente e não tomar nenhum medicamento que não seja recomendado pelo médico, pois pode pôr em risco a sua vida.

 

 

 

 

 

 

publicado por Dreamfinder às 20:38

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Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

OS HÁBITOS SEXUAIS E A SAÚDE

É indiscutível que os comportamentos condicionam a saúde individual de cada um. É por isso que se revela importante a promoção de comportamentos adequados e informados e a prevenção de comportamentos de risco.

Entre os comportamentos que se relacionam com a saúde incluem-se os hábitos sexuais. Mas afinal os hábitos sexuais são frutos da influência de um determinado ambiente familiar ou da educação? Até que ponto se revelam importantes temáticas como a educação sexual nas escolas? Ou será que os hábitos sexuais são inatos, resultantes de circunstâncias fortuitas ou do puro instinto? São meros comportamentos repetidos? Escondem valores essenciais?

Claro que um dos primeiros passos importantes para que uma pessoa possa viver bem com o seu corpo e cultive a sua saúde é conhecer e conviver com a sua sexualidade. A sexualidade que consiste no conjunto de atributos anatómicos e fisiológicos que caracterizam cada sexo e que é diferente não só do acto sexual, como da reprodução. A saúde sexual e reprodutiva deve ser preservada e é importante que haja uma educação nesse sentido, que se percam preconceitos e tabus, para que se possa promover a saúde.

Na promoção da saúde sexual é importante ter em conta a existência ou não de desejo sexual e de prazer, os tipos de relações sexuais que se estabelecem, a presença de criatividade nas mesmas e a distinção entre a normalidade e a disfunção sexual. A atenção a todos estes tópicos revela-se fundamental para a manutenção de uma saúde sexual.

É neste sentido que se revela imprescindível a educação sexual que não se pode restringir à adolescência, mas que se prolonga por toda a vida. A informação sexual é importante e aumenta os aspectos cognitivos mas, por si só, não altera comportamentos. É importante que exista mesmo uma educação sexual, no sentido de modelar os comportamentos das pessoas.

Esta educação não pode ser apenas iniciada nas escolas, tem de ir muito além disso. Deve ser estimulada no seio familiar, entre os colegas, pelos meios de comunicação (com grande projecção na população) e a própria pessoa deve procurar informar-se e auto-educar-se. A educação sexual inclui sempre a informação, os valores individuais e os comportamentos e a modelação dos mesmos, de acordo com a informação recebida e de forma harmoniosa com os valores de cada um.

Os valores afectivo-sexuais revelam-se importantíssimos na saúde dos indivíduos, embora muitas vezes os próprios não o reconheçam. Os tipos de relações sexuais mantidas, a noção e importância de fidelidade ou de virgindade, a obtenção ou não de prazer, o desejo, o controlo dos instintos ou ainda as atitudes perante questões como a interrupção voluntária da gravidez ou a homossexualidade são assuntos importantes que cada indivíduo deve ponderar e sobre os quais deve conversar com o seu parceiro.

No âmbito da prevenção o grupos dos jovens tem particular destaque. É importante que sejam estimulados a desenvolver, desde cedo, a promoção da sua saúde sexual, através do aconselhamento médico. Revela-se assim importante a consulta ginecológica e o planeamento familiar, o aconselhamento na escolha do contraceptivo, a atenção ao número de parceiros sexuais e a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DTS).

Os comportamentos sexuais acabam por revelar-se em situações preocupantes como a maternidade na adolescência, uma realidade cada vez mais comum, ou o aumento da incidência da SIDA

Concluindo, a promoção para a saúde sexual e a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis é importante para a manutenção da saúde, não apenas física, mas também psicológica de cada indivíduo e deve passar pela informação e educação sexual.

“Só há um templo no mundo e é o corpo humano. Nada é mais sagrado que esta forma sublime. Inclinar-se diante de um homem é fazer homenagem a esta revelação na carne. Toca-se o céu quando se toca um corpo humano.”

Friedrich Novalis

publicado por Dreamfinder às 23:48

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Domingo, 15 de Abril de 2007

"QUERIDO DIÁRIO"

Este título poderia ser apenas uma forma carinhosa de me dirigir a este diário que me “atura” há já algum tempo. Mas não é… Não resultando nem de inspiração divina e muito menos de uma invocação carinhosa ao meu “course journal”, é o título de um filme que vi recentemente e que aborda o tema dos… médicos. E, sobretudo, a relação médico-paciente.

Nanni Moretti é alguém com muito azar… sobretudo com os médicos. Este filme é um relato verídico acerca das suas experiências com os médicos, variadas e inconclusivas.

Tudo começou com as comichões de noite nos pés e braços. Os médicos diziam que era urticária e receitaram-lhe medicação adequada, que não fez desaparecer os sintomas.

Dirigiu-se então a um famoso instituto dermatológico em Roma, onde lhe diagnosticaram uma pele seca e irritada, o que levou o médico a concluir que teria origem num problema alimentar. Receitou-lhe Histamen e Flantadin, medicação que não resultou.

Perante o fracasso, procurou uma segunda opinião, que mais uma vez lhe diagnosticou uma pele muito seca, indicadora de um dermografismo grave cujo motivo seria de carácter nervoso (muito stress) ou alimentar. Recomendou-o a fazer uma análise completa ao sangue e a tomar Fristamin.

As comichões aumentaram e tornaram-se horríveis. Optou então por marcar consulta num dermatologista muito conhecido e aclamado que, no entanto, não tinha vaga para ele, pelo que lhe recomenda o seu substituto. Este diz que a situação é resultado de grande stress e aconselha-o a beber um chá, café ou coca-cola por dia. Para o duche deve usar Alfo 3 e depois do duche: Idroskin e Infloran. Receitou-lhe ainda Atarax. Nanni, já farto de tanta medicação ilógica, decidiu não levantar a receita.

Volta ao famoso instituto de Roma para uma consulta de Alergologia. Foi-lhe feito um teste, em que puseram em contacto com a sua pele gotas de diferentes agentes alergónicos para ver a quais era Nanni alérgico. Descobriu que tinha alergia a leite e derivados, nozes, sementes, peixe e carne de porco. Devia então encomendar uma vacina para cada uma das alergias. Pareceu-lhe, mais uma vez, uma situação patética, mas encomendou as vacinas.

Depois de muitas tentativas lá conseguiu uma consulta com o tal aclamado dermatologista, considerado o “príncipe”. Este, depois de o observar, receita-lhe: para braços e pernas – Colopten, Cinazyn, Caprolisin, alternar Fenistil, Atarax e Xanax – para a cabeça Ecoval Scalp Fluid, lavar a cabeça diariamente, alternando os 3 tipos de shampô que receitou. Recomendou-o ainda a calçar sempre uma meia de algodão fina até aos joelhos e camisas de manga comprida para evitar a exposição ao sol. Desta vez, Nanni cumpriu estas tarefas, mas lembrou-se de ler a posologia que acompanha os medicamentos, ao que descobriu:

- Caprolisin – anti-hemorrágico, indicado para sindromas de estado agudo de finibralise, hemorragias internas, …

- Cinozyn – ajuda a circulação aumentando o fluxo sanguíneo, recomendado em caso de distúrbios e irritação cerebral.

Depois de constatar a contradição dos medicamentos, chegaram as vacinas para as alergias. Ligou para um amigo imunologista que lhe confessou que as vacinas são inúteis e que ao tomá-las corre o risco de um choque anafiláctico. Diz-lhe ainda que a comichão que ele tem não deve ser de origem alimentar, pois se fosse causaria urticária, ou seja, teria bolhas por todo o corpo e não apenas comichão.

Nanni consulta um novo dermatologista, que lhe aborda uma nova vertente, afirmando que se trata de uma questão psicológica. Receita-lhe 7 injecções de Trimeton (intra-muscular), Fenistil e o creme Legederm.

Oito meses mais tarde, nada resultou e Nanni vê-se desesperado. Consulta uma reflexóloga que lhe faz umas massagens e lhe receita uma enormidade de tratamentos rudimentares estranhos, como, por exemplo, um banho com cascas de trigo.

De noite, Nanni começou a suar muito e a dormir mal. Perdia cada vez mais peso. Decidiu ir a um Centro de Medicina Chinesa. Apesar de também tecerem algumas teorias estranhas e ilógicas aos olhos de Moretti, mostram-se, pela primeira vez, preocupados em perceber o que ele tem e simpáticos. Vai fazendo sessões de acupunctura eléctrica. No entanto, Dr. Yang, ao ver a grande tosse de Nanni admite que a terapêutica não está a resultar e manda-o fazer uma radiografia ao tórax. Esta evidencia uma massa nos pulmões.

Dirige-se então, a conselho de Dr. Yang, a outros médicos que lhe fazem uma TAC, detectando um sarcoma no pulmão, que segundo o médico não tinha qualquer hipótese de cura. É operado dois dias depois da TAC. Acabam por descobrir tratar-se de um Linfoma Hodgkin, um tumor no sistema linfático, ou seja, curável.

Mais tarde, Nanni vai, por curiosidade procurar na Enciclopédia Médica Garzanti “linfomas”, onde descobre como sintomas: comichões, emagrecimento, suores. Era assim tão difícil???

Desta angustiante experiência com os médicos, Nanni aprendeu duas coisas:

“- os médicos sabem falar, mas não sabem ouvir

- de manhã, antes do pequeno almoço, faz bem beber um copo de água”.

 

 

“It’s alright for the patients to think you can walk over the water

provided that you are not convinced that you can.”

      Frank Spencer

publicado por Dreamfinder às 11:32

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Sábado, 14 de Abril de 2007

A EMERGÊNCIA MÉDICA

Ontem estive na primeira aula do módulo de Suporte Básico da Vida, integrante da disciplina de Introdução à Medicina. É impressionante como uma intervenção rápida poderia evitar muitas das mortes por paragem cardiorrespiratória.

O CODU – Centro Operacional de Doentes Urgentes – é onde estão as pessoas que nos respondem quando recorremos ao número nacional de emergência médica: 112. Este número e este centro operacional, através da triagem que operam e do accionamento de meios para o local, salvam vidas. No entanto e infelizmente, nem sempre é devidamente utilizado pelas pessoas, que a ele recorrem por situações banais como dores de dentes ou unhas encravadas, quando a linha se destina exactamente a situações de perigo de vida.

 

O operador, poupando o máximo de tempo possível e, muitas vezes, acalmando mesmo o seu interlocutor (a quem as perguntas parecem uma insignificante perda de tempo), vai fazendo perguntas que se revelam importantes para a triagem e consequente percepção dos meios necessários de assistência em cada caso: “O que é que se passa?”, “Qual a idade do doente?”, “O doente está consciente?”, “Ele sofre de alguma doença?”, “Qual o local da ocorrência?” … Na realidade, estes 30 segundos de inquérito revelam-se importantíssimos na gestão de recursos e num adequado envio de meios em cada situação. Estes critérios permitem também, quando ocorrem emergências simultâneas e em locais semelhantes, seleccionar o tipo de assistência ou, até mesmo, quando apenas é possível assistir uma das vítimas, “escolher” aquela que aparentemente terá maior probabilidade de sobreviver, tendo em conta o estado descrito pelo interlocutor.

 

“Em Medicina e em emergência, apesar de todas as vidas terem o mesmo valor, precisamos de saber qual a situação mais grave em cada momento.”

Dr. Nelson Pereira (director Emergência Médica)

 

Nem sempre é fácil o estabelecimento desta relação operador-interlocutor. Na verdade, a aflição e o desespero, numa situação de emergência, podem bloquear o contactante, ao mesmo tempo que a necessidade de respostas imediatas dificultam a vida ao operador do CODU.

 

“A nossa função aqui é salvar a vida o mais rapidamente possível, mesmo tendo de lutar contra a ignorância e falta de cooperação do contactante. Muitas vidas são perdidas precisamente porque as pessoas não colaboram.”

Rita Marques (operadora de atendimento)

 

É neste sentido que me parece importante uma maior sensibilização da população em geral. Aliás, a formação seria uma aposta que salvaria muitas vidas. Por exemplo, deveriam ser divulgados cursos gratuitos de formação em Suporte Básico da Vida, que se pode revelar vital para um indivíduo em paragem cardiorrespiratória.

Há toda uma cadeia de sobrevivência que é importante ser mantida e, que, na ausência de uma formação mais generalizada, vai continuar a ser quebrada e a provocar mortes. Por muito eficiente que seja o serviço nacional de emergência, quando se trata de uma pessoa em paragem cardiorrespiratória, os primeiros momentos são determinantes e a execução de manobras de SBV, antes da chegada da assistência especializada, poderiam salvar mais uma vida.

 

“As pessoas deviam saber como se faz uma reanimação e

de como esse gesto simples pode salvar uma vida.”

Rita Marques

 

Inicialmente, a pessoa que vai socorrer a vítima deve ver se tem condições de segurança e só depois se pode aproximar. Se possível, deve também tentar perceber o que se passou, para poder ter um cuidado particular com a mobilidade da vítima se supuser ser um caso de trauma. Depois, abanando ligeiramente o acidentado, vê o seu estado de consciência. Se estiver inconsciente é importante que se grite por ajuda, pois se alguém aparecer as manobras serão mais fáceis de executar. Depois colocando uma mão na testa do doente e com a outra levantando o maxilar inferior, devemos proceder à abertura da via respiratória e aproximar a nossa face para ver os movimentos torácicos, ouvir e sentir a respiração, tal como o pulso carotídeo, para confirmar se há paragem cardiorrespiratória.

 

Caso se confirme, devemos ligar imediatamente para o 112 e responder adequadamente às questões colocadas, informando que vamos prosseguir com as manobras de SBV. Depois alterna-se a massagem cardíaca com a ventilação.

Por cada 30 compressões, procedem-se a 2 insuflações. As compressões permitem a manutenção de algum fluxo sanguíneo, para substituir o papel do coração no bombeamento sanguíneo; a ventilação procura compensar a paragem respiratória.

 

 

“Valeu à vítima o suporte básico de vida precoce, aquando

 da paragem cardiorrespiratória, o que permitiu haver

um grau de oxigenação cerebral e mesmo miocárdica.”

Dr. Nelson Pereira

 

Só se interrompem as manobras de SBV se estivermos exaustos, o doente manifestar qualquer sinal vital ou chegar a ajuda especializada. Se o doente recuperar o pulso mas não respirar, devem proceder-se a 10 insuflações com intervalos de 5 segundos, se recuperar o pulso e a respiração, mas continuar inconsciente, deve ser colocado na posição lateral de segurança.

 

 

O Suporte Avançado de Vida é levado a cabo pela assistência especializada.

Existem ainda alguns casos particulares, como o de politraumatizados em que não deve ser feita a extensão do maxilar inferior aquando da ventilação e em que o indivíduo também não deve ser colocado em posição lateral de segurança, tentando-se manter o máximo possível a imobilidade da sua coluna cervical. No caso de se tratar de uma mulher grávida (particularmente no último trimestre de gravidez), deve ser colocado um calço no lado direito, por debaixo da sua anca, durante a execução das manobras de SBV.

 

 

Por fim, no caso de se tratar de uma criança ou de um afogado e, porque, em ambos é grande a probabilidade de a paragem ser de origem respiratória e não cardíaca, antes de se ligar para o 112 devem levar-se a cabo 5 insuflações e 4 ciclos de 30 compressões/2 ventilações.

Quando se liga para o 112, a chamada é inicialmente atendida por um centro da polícia e, só em situações de saúde, a chamada é rapidamente reenviada para o CODU. A linha está continuamente disponível e, neste momento, tem uma cobertura de 100% em Portugal Continental.

Tendo o operador feito a ficha da vítima com base na informação do contactante, há um médico regulador que tem de decidir a necessidade ou não de enviar meios e o tipo dos mesmos.

 

 

Em certas situações um aconselhamento é suficiente; noutras, os equipamentos têm de ser enviados, consoante as necessidades da vítima e a disponibilidade dos mesmos. No final, é o operador de accionamento que dá “luz verde” aos meios disponíveis e mais próximos da vítima para que sejam activados para o local da ocorrência. As equipas que se dirigem para o local, e que incluem TAE, médicos e enfermeiros, são previamente avisadas pelo CODU e é-lhes fornecida toda a informação necessária: estado de saúde da vítima, local e pontos de referência.

 

 

Entre os meios disponíveis do Instituto Nacional de Emergência Médica incluem-se a VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação), tripulada por um médico e enfermeiro, que contém material capaz de simular, em terreno, uma sala de ressuscitação.

                           

É accionada em situações de perigo iminente. Além desta, existem motas tripulada por um TAE – Tripulante de Ambulância de Emergência -, que possuem um desfibrilhador e que permitem perfurar mais rapidamente o trânsito; helicópteros (existe um em Lisboa e outro no Porto) que permitem fazer chegar ao local uma equipa médica; ambulâncias que são tripuladas por TAEs e são accionadas nas situações em que não existe compromisso das funções vitais.

“Uma situação de emergência não é só tratar o doente,

há toda uma questão de logística, tão simples como

tirar a vítima de casa e levá-la até à ambulância.”

Dr. Nelson Pereira

 

Assim, é importante uma maior sensibilização das pessoas para a importância do número nacional de emergência e casos em que deve ser utilizado, tal como para a importância da colaboração da pessoa que relata a ocorrência com o operador de CODU. Ao mesmo tempo, seria fundamental um maior investimento na formação da população em manobras de SBV que poderiam evitar mortes desnecessárias e, assim, realçar a palavra de ordem: prevenção.

“O processo de emergência começa quando as pessoas o identificam

 uma situação de potencial gravidade, até ao momento em que as

vítimas entram no hospital. O nosso trabalho termina e aí começa

 a fase hospitalar de diagnóstico e tratamento do doente.”

Dr. Nelson Pereira

 

publicado por Dreamfinder às 23:19

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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

A ACTIVIDADE FÍSICA E A SAÚDE

A actividade física é qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos de que resulta um aumento substancial de gastos energéticos (OMS). O exercício físico é uma forma de actividade física, geralmente realizado repetidamente, num período extenso de tempo e com um objectivo específico.

A condição física, que a OMS define como a capacidade para realizar trabalho de forma satisfatória, surge muitas vezes associada ao estado de saúde de um indivíduo.

Como exemplo, o componente morfológico, em que podemos referir o índice de massa corporal, a percentagem e distribuição da gordura corporal. No âmbito da prevenção é importante um controlo destes indicadores morfológicos, já que é uma forma de vigiar casos de hiperinsulinêmia e consequentemente diabetes mellitus, deslipidêmias, …

A componente morfológica da condição física está ainda relacionada com a tendência a desenvolver fracturas ósseas, a densidade óssea e a osteoporose. Mais uma vez no sentido de reduzir estes problemas ósseos revela-se a prática de actividade física regular, mas também uma dieta equilibrada e evitar o consumo de tabaco. A condição física está, no entanto, condicionada por factores hereditários, no que toca a componente morfológica.

Outra componente da condição física que se relaciona com a saúde é a muscular. A actividade física aumenta substancialmente a força muscular e, assim, diminui a ocorrência de cervicalgias, lombalgias e, mesmo, incapacidade física.

Actualmente, o componente cardiorespiratório é o mais afectado por problemas de saúde, entre os componentes da condição física. Entre estas patologias surgem as principais causas de morte no nosso país: cardiopatias isquémicas e AVC. Mais uma vez a actividade física revela-se fulcral na prevenção destas doenças.

Por fim, também o componente metabólico se revela importante nas questões relacionadas com a saúde. Por exemplo, no metabolismo dos glícidos, a tolerância à glicose está condicionada pela prática de exercício físico e, por isso este revela-se importante na prevenção da diabetes mellitus tipo II. No metabolismo lipídico, um exercício físico regular permite a manutenção de baixos níveis de colesterol LDL (evita a deposição deste nas paredes dos vasos sanguíneos), níveis altos de HDL e controlo dos triglicéridos e, por conseguinte, permite a prevenção das doenças ateroscleróticas.

Concluindo a actividade física traduz-se em inúmeros benefícios para a saúde como a redução e prevenção da osteoporose, patologias da coluna vertebral, morte prematura, doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, hipertensão,… aumenta também o bem estar psicológico e a qualidade de vida dos indivíduos. No sentido de uma prevenção terciária, esta prática previne ainda a doença pulmonar obstrutiva crónica, asma brônquica, cardiopatia isquémica, acidente vascular cerebral, doença vascular periférica obesidade, …

Um estudo recente da Marktest revela que 1,5 milhões de portugueses frequentam ginásios, clubes, health clubes ou academias. 17,9% é o actual universo destes frequentadores, contra os 14,9% registados em 2000.

 

publicado por Dreamfinder às 17:27

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Quinta-feira, 12 de Abril de 2007

ALIMENTAÇÃO E OBESIDADE

Durante muito tempo o obeso foi considerado por todos como o grande culpado pelo seu excesso de peso. Através de falta de vontade, de gula, de falta de controlo, impassibilidade e outros atributos pouco honrosos, acreditava-se que o gordo era o único responsável absoluto pela sua obesidade.

 Esta é o acumulo excessivo e patológico de gordura (molécula de triacilglicerídeo)  no organismo acima de 15% do peso considerado óptimo e que se observa através da comparação entre peso e altura, utilizando um padrão IMC, Índice de Massa Corpórea.

O IMC normal vai de 18 a 24,9 Kg/m, existe obesidade de grau I, II e grau III (chamada de obesidade mórbida).

Mas, qualquer que seja o parâmetro ou a definição empregada, não já como separar o termo obesidade de excesso de gordura corporal.

Sempre que houver uma ingestão de calorias (dos alimentos) maior que o gasto energético, haverá um armazenar de calorias na forma de gordura. A energia calórica que adquirimos nos alimentos vem de três tipos de nutrientes: as proteínas, as gorduras e os carboidratos. Mas a quantidade de calorias que um individuo necessita varia tendo em conta factores como a idade, o sexo e a actividade física. O corpo humano armazena exageradamente as calorias extras que não são essenciais nas células do panículo adiposo (tecido subcutâneo constituído por lóbulos de gordura). Não esquecendo que o que mais engorda são as gorduras e não o açúcar como por vezes se pensa.

Entre as causas prováveis da obesidade, o homem de hoje com o seu estilo de vida sedentário, não precisa de se esforçar fisicamente e isso diminui o gasto de energia na forma de calorias; a industrialização dos alimentos (ricos em carboidratos  e gorduras polinsaturadas) modificou o padrão alimentar; o hábito da alimentação rápida (fast-food) aumentou a oferta de alimentos extremamente calóricos na dieta; aspectos culturais e comportamentais do indivíduo, ganho de peso após o casamento e com o envelhecimento; as facilidades da vida moderna (automóveis, elevadores, controlos remotos, …); mulheres com cintura além dos 86 centímetros são mais susceptíveis de desenvolver cancro do útero, ou que engordaram mais de 20 quilos desde os seus 20 anos; algumas doenças com distúrbios endócrinos como o hipotireoidismo e a síndrome de Cushing, em que se revela o aumento da produção de hormonas pela glândula supra-renal e alguns outros desequilíbrios hormonais, mas significam menos de 2% dos casos de obesidade; a genética também já provou haver associação entre a obesidade e a hereditariedade.

O excesso de gordura repercute-se de forma negativa em todos os sistemas do organismo: causa doenças graves como a diabetes, os problemas respiratórios, devido à pressão que o acumulo de gordura no abdómen exerce não só sobre a cavidade abdominal como sobre a caixa torácica, dificultando a respiração; também os ossos e os músculos, são afectados pelo esforço adicional exigido para suportar o excesso de peso; influencia no funcionamento do sistema cardiovascular, elevados níveis de gordura no sangue se depositam nas artérias dificultando a irrigação sanguínea, tornando os vasos rígidos, que por sua vez elevam a pressão arterial; causa um intenso desgaste do coração ao impulsionar o sangue através dos vasos sanguíneos cada vez mais estreitos e rígidos.

Segundo um estudo efectuado pela Organização Mundial de Saúde, cerca de 300 milhões de pessoas actualmente são obesas. A obesidade também é considerada um problema de natureza estética e psicológica, além de ser um grande risco de saúde. Mas a tendência social para com os indivíduos obesos é de preconceito desumano: a discriminação estética, considerá-los pessoas sem força de vontade e preguiçosos.

A obesidade hoje já é considerada uma doença, tipo crónica, que provoca ou acelera o desenvolvimento de muitas doenças e que causa a morte precoce.

No tratamento já se usam, os medicamentos com acção sobre o apetite que actuam sobre neurotransmissores como dopamina ou serotonina, como é o caso dos anorexígenos ou, dos estimulantes da saciedade como a sibutramina; também se utiliza a famosa “banda gástrica” nos casos de obesidade mais graves.

A melhor solução a adoptar é levar uma vida saudável, com uma boa alimentação (poucas gorduras e com menos açúcar); evite o consumo de álcool e refrigerantes e beba água; 30 minutos de exercício físico por dia e vida ao ar livre, com pouca tv pelo meio.

 

 

publicado por Dreamfinder às 12:56

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Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

DIA MUNDIAL DA DOENÇA DE PARKINSON

A notícia com o apavorante diagnóstico trocou-lhe as voltas. Tinha apenas 19 anos e “um pequeno tremor”quando soube que os seus sonhos ficariam para trás… era federada como atleta de patinagem artística, praticava ballet e ginástica rítmica e frequentava o curso de engenharia informática. Nesse dia acompanhava o irmão, doente de Parkinson, e o médico não duvidou que também ela padecia precocemente da mesma doença.

Hoje tem 42 anos e continua a desconfiar desse diagnóstico, acreditando que os medicamentos desadequados poderão ter precipitado a evolução da doença.

A idade dificultou mais a aceitação desta notícia, na grande maioria das vezes recebida por pessoas com mais de 60 anos. Além de momentos de grande angústia, revolta e depressão, ela quis também desafiar a doença e atingir metas, entre as quais uma gravidez de risco, passada na cama para evitar as contracções. Hoje são o filho de 11 anos e o marido os seus grandes alicerces, mas também a sua enorme força interior. Nos dias em que a doença se revela mais penosa – em que sente mais ansiedade ou mais dores – fala com a doença ao espelho, tratando-a por “tulipa” (símbolo desta doença).

 

Acusa a excessiva burocracia portuguesa de dificultar a vida a estes doentes e pensa abrir uma delegação da APDPk – Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson.

Uma outra história é de um empresário que descobriu a sua doença aos 38 anos quando notou a falta de controlo num dedo da mão. Os três médicos diferentes que consultou foram coerentes no diagnóstico, não havia dúvidas: era Parkinson. No carro, chorou durante quinze minutos, lágrimas de revolta e de incompreensão, por ter Parkinson numa altura tão favorável da sua vida. Quando reagiu fê-lo com determinação: manteve a sua empresa e envolveu-se na APDPk, onde é actualmente vice-presidente, nunca deixou de guiar embora com limitações. Apenas numa coisa o medo falou mais alto e hoje, ainda que casado confessa ter optado por não ser pai com receio de uma eventual transmissão hereditária (cujo papel ainda hoje não é claro). Por sua vez, ele lamenta que os medicamentos não sejam gratuitos e que o governo não a considere uma doença crónica.

Apenas cerca de 10% das pessoas afectadas com a Doença de Parkinson têm menos de 40 anos. Os sintomas mais comuns são tremores, rigidez muscular, lentidão na execução de movimentos, alterações na marcha, desequilíbrios, depressão e incontinência urinária.

Mas há esperança para estes doentes. Quatro anos depois de ter sido introduzida em Portugal a mais moderna cirurgia contra a doença de Parkinson, o hospital de São João no Porto, é um dos dezasseis centros de referência na Europa. Também os Hospitais de Santa Maria, da Universidade de Coimbra e o Santo António no Porto executam esta técnica de estimulação cerebral profunda do núcleo subtalâmico. Actualmente, 105 doentes portugueses com Parkinson têm eléctrodos no cérebro e uma pilha no peito, que lhes aumenta consideravelmente a qualidade de vida, particularmente a independência, já que deixam para trás os movimentos incontrolados, a imobilidade, as quedas e as fraldas. Dos cerca de 2500 novos casos que surgem todos os anos no nosso país, apenas 100 a 120 têm indicação cirúrgica, o que se prende com a delicadeza de intervenção, que inclui o acto de serrar o crânio com o doente acordado para que este vá conversando com o médico. Assim, a cirurgia só é recomendada em pacientes de idade inferior a 70 anos, com o mínimo de 5 anos de evolução da doença e sem qualquer outra alternativa eficaz de terapêutica.

Os restantes serão obrigados a reaprender a viver, conservando o intelecto saudável preso a um corpo sem controlo. No caso destes e neste Dia Mundial de Parkinson, as palavras de esperança são dadas pelo Regente de Anatomia da nossa faculdade e chefe da equipa do Hospital de Santa Maria:

 

“O princípio básico é ensinar que é possível viver com a doença durante muitos anos e com qualidade. Tem que se retirar a ideia

de que o diagnóstico de Doença de Parkinson é um cataclismo.”   

Doutor Gonçalves Ferreira

 

publicado por Dreamfinder às 10:39

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